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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Cidade Tiradentes e as eleições 2010.

Por Giselle Vergna

Estamos a poucos dias das eleições, e aqui em Cidade Tiradentes (zona leste de São Paulo), tenho notado as pessoas desanimadas com a política, de um modo geral. O assunto mais comentado nas ruas do bairro é sobre a candidatura de Francisco Everardo Oliveira Silva de 45 anos. Você não sabe quem é? Isto não é nenhuma surpresa para mim!

Confesso que, se eu ouvisse este nome por ai, pensaria ser mais um candidato igual a qualquer outro. E com certeza, se eu o visse na rua, sem os apetrechos  coloridos que ele costuma usar,  não o reconheceria. Pois bem, o candidato em questão ficou conhecido como Tiririca nos quatro cantos do país ao emplacar em 1996, a música “Florentina Florentina”.
Tiririca é candidato a deputado federal pelo Partido da República (PR). Sabe apenas ler e escrever, diz que não tem idéia do que faz um deputado federal. Ele se auto entitula “o abestado”, e, pasmem: seu slogan de campanha já é considerado um dos mais repetidos pelos eleitores. “Vote no Tiririca, pior que tá, num fica!”

Foi a primeira resposta que ouvi de da dona de casa Rosangela M. S. Heyek, de 41 anos. Ao questioná-la sobre como ela está encarando as eleições 2010. Rosangela, ainda rindo de sua resposta, me confessou: " Estou perdendo a fé na política,  nas eleições e no governo. Toda eleição é a mesma ladaínha. Eles prometem  de tudo, se elegem e depois se esquecem das promessas que fizeram. A saúde não é a maravilha que mostram no horário político. Aqui no bairro, estão construindo cada vez mais prédios para as pessoas virem morar. Mas estão se esquecendo da infraestrutura como a ampliação do transporte, por exemplo". Rosangela reclamou também da educação: " Minha filha Fernanda, de 14 anos, foi fazer uma prova recentemente para o processo seletivo na escola Objetivo e foi muito mal na prova. Ela me disse que caíram questões sobre as quais ela não aprendeu na escola pública onde estudou".

Outro depoimento que me chocou, e já começou com a frase categórica: "Odeio política!", foi o depoimento de Johnny F. Gomes de 21 anos, Professor de Desenho: "Tenho título de eleitor desde os 16 anos e desde então, voto em branco ou anulo. Não voto em ninguém, porque acho que isso é uma forma do governo lucrar às custas do povo. Enquanto uns candidatos ficam trocando acusações e contando mentidas na propaganda eleitoral, outros fazem palhaçadas para zoar com a nossa cara. Tudo isso é uma palhaçada, nunca muda, só piora".  Mas você não acha que votando em branco ou nulo, você acaba contribuindo para que situação piore? "Não é o meu voto que vai fazer a diferença, meu voto não vai mudar nada, não vai fazer falta!

Já Eduardo Marinho, 26 anos, Escritor de Graffiti, e conhecido no bairro como "Credo", me disse que está cansado de ouvir os mesmos assuntos nas propagandas políticas. "As promessas não mudam. Saúde, educação, transporte, trânsito, habitação não deveriam mais ser abordados em suas propostas, porque estes itens são básicos a que a população têm direito, e obrigação de todos os governantes. Sobre isso, não deve-se mais discutir, e sim, fazer e pronto! Quero ver mais propostas para os esportes, lazer e para a cultura, que são quesitos nos quais eu acredito contribuírem muito para o  crescimento pessoal do indivíduo, além de expandir seus horizontes".

Considerando todas as abordagens que fiz aos moradores da Cidade Tiradentes durante esta semana, concluí que a maioria dos eleitores se mostram indiferentes ao que é discutido no horário político ou em debates entre os candidatos. Separei esses três depoimentos acima porque, mesmo os três sendo relativamente parecidos, pelo menos eu consegui prendê-los por alguns minutos durante a entrevista e até desenvolver uma conversa. Enquanto que a maioria das pessoas que abordei, me deixaram falando já na primeira pergunta, dizendo: "Política não é comigo!"

Acredito que esse comportamento da população, de apatia às questões políticas já vem se arrastando há alguns anos. E o fato de um palhaço abestado que também é mágico, mesmo só sabendo ler e escrever, estar disputando o cargo de deputado federal, contribuiu ainda mais para o povo fechar os olhos, virar as costas para a política e fingir que está tudo bem.
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